9.6.09

Chuva

Desperdiço tempo...

E apenas me sabe bem
Se o fizer com plena noção disso

Estar fechado é uma perda bem maior
Uma defensiva,
Que nunca me levou a lado nenhum

Às vezes tudo corre tão mal
Que, ai sim
Não me critico por recorrer a tudo o que posso
Porque no fundo tenho de pensar em mim,
também...

Pegar em tudo o que me pode puxar para cima
Em tudo o que me pode fazer esquecer
Tudo o que errei,
e tudo o que estás a errar agora...

Ontem sai de casa, bem tarde já
Estava escuro, os candeeiros fundidos
Uma estrada sem sentido
Mas sem luz, talvez seja mais fácil de te entender

Andei uns quilómetros
Não sentia nada à volta
Apenas a angústia de saber que afinal
Não és diferente de mim...

Mas quando parei de sentir
E por momentos consegui desviar o pensamento
Senti tudo...
Tudo que estava à minha volta

E nesse momento, isso sim
Foi o meu refúgio
Um raro momento em que que tudo morre
Até tu...

Senti o vento
Como um vendaval que me circunda completamente
Mas não me consegue tocar
Como que pior não me pudesse já acontecer

Será que existe mesmo o equilibrio?
...

No caminho de volta chuveu
O sentimento mudou de novo
Voltou tudo
Quando tempo vai isto durar assim...
Quanto?

Mas, por mais estranho que possa parecer
Preferia que me visses à chuva
E, naquele momento, entendi a beleza dela

Porque é a única que te dá o poder
De misturares a tua tristeza com algo à tua volta
Que não uma pessoa
Porque as pessoas erram...
É isso que nos faz humanos, afinal
Mas ela não...

E ai percebi...

Adoro andar pela chuva
Porque me faz esquecer
Porque por momentos me sinto a mim, de novo
Porque à chuva...
Nunca saberás quando estou a chorar

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