24.9.09

O Homem na tua Vida, A Criança no teu Peito

Se não tivesse medo de falar
De dizer seja o que for
Se escrever pudesse ser apreciado
Sem no entanto ser julgado
Ou sequer visto por seja quem for

Se escrever tivesse a força de um pedido
A importância da presença
O mesmo significado para ti
Do que eu mesmo...

Ai eu pedia-te
Segredava-te ao ouvido
Que tudo o que preciso agora
Que me deixes recuar no tempo
Que me deixes sentir de novo
Uma criança, no teu peito

Tenho de te dizer
Que tenho pensado em coisas extremas
Como a morte...
Quero que saibas
Que o que mais queria era
Morrer antes de ti
Para não ter de te ver morrer
Para que saiba que mesmo depois de partir
Tu ainda vais viver depois de mim
E que essa é a única altura
Em que não vou querer que ainda gostes de mim
Para não saber que estarias a sofrer...

Quero-te também dizer
Que nos sinto a tremer
Que te sinto perto,
Mas logo depois distante
Indiferente...

Quero-te dizer que queria um espaço maior
Maior tolerância, menor desconfiança
Que não há um dia que não me arrependa do que fiz
Uma porra de um dia em que não tenha de me lembrar disso
Um único dia em que não me afaste um pouco de ti
Porque depois de tudo isto
O que mais faltava era teres ainda de me ver chorar

Chorar pelo que eu criei
Por não te ter acompanhado
Por não ter acompanhado o que eu não sabia
Por não ter sabido o que irias ser para mim
Por pensar que tudo teria uma solução

E pior que tudo
É agora saber que tem
Mas que é tão frágil
Como a casa de vidro em que vivemos
Que quebra com a mais pequena palavra...

Sinto-me tão indesejado
Tão posto de parte agora
Quero tanto sentir-te
Mas sei que só tenho metade
E sei que a culpa é minha...

E por isso eu grito
Sei que não devia
Mas eu grito
Não por tua causa
Mas por ti
Porque te amo
Porque me odeio.

Sei que errei
Mas peço-te
Deixa-me ser de novo...
O homem na tua vida
A criança no teu peito...

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