2.12.09

Amor

Escuro, silêncio, escrevo…
Sozinho, cabeça limpa, paz de espírito…
Faço uma exteriorização global da minha vida,
Tenho saudades de muitas coisas
Algumas já se foram
Outras ainda posso atingir
Mas quando não consigo
Sinto-me, como no fundo sempre fui e sempre serei
Um papel, talvez mais perdido que os outros
Com a alma ao vento, e vou andando, andando
Bato numa parede, onde paro um bocadinho
Mas vão-se abrindo buracos…
E parece que o vento empurra mais e mais
Penso que podia ser mais devagarinho…
E passo pelo buraco, mais uma vez
E desta vez, eu nem queria…

Aprendo, mas não absorvo,
Apenas me diverte algo assim
Novo, como tu…
Aprendi contigo,
Há tanta coisa tua que ainda carrego em mim
E que sei que nunca vai sair
A tua visão é diferente, dai ser difícil
Dai discutimos…
Não podes ser testemunha de algo que é teu
Seria como uma testemunha cega

Gostaria de acreditar que precisas de mim
Tanto como eu de ti
Gostaria que não fosse fácil para ti
Viver sem mim
Que te fizesse falta, que te lembrasses
Que chorasses se sentes a perda
Eu choro… e tu?

Não me contento, nem nunca me vou contentar
Muito menos com uma vida assim
Com falsas promessas, penso que tem de haver mais…
Demorou demasiado, para agora ter de ser assim
Não se pode pensar que o melhor está para ser inventado,
Sobretudo quando podes ter tudo aqui

Apetece-me agora encostar o teu corpo contra a parede
E obrigar-te a contar tudo o que quero ouvir
Que a tua voz saisse mágica, assombrada pela verdade
Mesmo que eu não a queira, ela fascina-me
Apetece-me gritar “Nunca me digas que não”
Eu quero um sonho, e só to peço porque sei que podes…

Quando digo que gosto mesmo de ti,
Sei onde estou
Num mundo real, com uma pessoa real
Que sei que não se vai iludir com palavras
Escolhi-te a ti por isso, não quero facilidades
Mas quero dedicação, quero tempo, quero atitude
Quero coisas que não partilhas de mim, mas que quero que partilhes
Quero que queiras perceber o que te digo, o mais que puderes

Apetece-me amarrar-te, e levar-te
O mais longe que quisermos ir
Silêncio e união, céu de estrelas brilhantes
Tudo para esconder a escuridão…
Apetece-me beijar-te mais uma vez, como a primeira vez
Que tudo à volta desapareça
Posso não ter tudo o que quero de ti
Mas naquele momento tenho, e aquele momento é verdade
A verdade que eu peço, que eu quero de ti

Quero construir contigo
Não quero caminhar pela estrada que nunca acaba
Sei que vou cansar-me, perder-me…
Mesmo que magoe, não faz mal
Às vezes a dor é mesmo a única coisa que sinto real
Quando demoras, quando não falas, não dizes, quando sinto que não sentes
Abre-se um buraco em mim, grande e escuro
Apodera-se de mim o sentimento mais velho da minha vida
Tento que ele feche, que vá embora,
Mas não consigo… porque me lembro… de tudo…

Porque é que quem mais gosto tem de ir embora
Porque é que não pode estar sempre aqui
Será que estou diferente? Possessivo? Maluco?
Ou será que… amo?
Não entendo no que me estou a tornar
Sei que te posso dar tudo
Gostaria que me desses tudo também
Mas tu deixas-me em baixo, tu magoas

Se não gostas de mim como eu penso
Então deixa-me ir
E foge antes que eu te possa ver
A minha cabeça está estragada, já nasceu assim
Posso melhorar, mas não a posso reparar
Neste momento sei que não fico bem sem ti
Mas esse sentimento desaparece por momentos,
Quando sinto que não queres lutar
Quando parece que te custa mais do que sentes necessidade
Peço-te, se te preocupas, não deixes isto crescer
Não me enganes
Apenas para te sentires melhor

Estou deprimido, mas as coisas até estão bem
A distância deprime-me, admito
Ainda bem que gosto de estar assim
Senão acho que morria… ou então era sempre feliz
Mal por mal, escolhe tu por mim
Às vezes a tua voz não me soa bem
E o teu sorriso parece engasgado
Não me podias deixar mais enganado, mais perdido
É horrivel… mas contagiante… infelizmente auto-destructivo…

Às vezes sinto que me escondo em ideias falsas
Que vão governando a minha vida
Sinto-me a separar, mas sinto-me bem
Sinto que não posso dar mais
Magoado por todas as vezes que estivemos mal
Eu sei que erro, eu, e que ninguém pode errar por mim
Não te quero perder por isso, nunca…
Mas percebe também que contigo sinto uma coisa que nunca senti
Quando às vezes me ignoras, não me ouves
Parece que a única mão que posso agarrar é a minha
O que me parece mais certo
Torna-se cada vez mais, a minha insegurança

Estamos a adiar alguma coisa?
Temos atitudes tão… sei lá… podres?
Queremos protagonismo? Mas não há câmera nenhuma, só nós…
Sonho que isso pudesse acabar
Ver-te chorar mais uma vez, sem te quereres afastar…
Pegar em ti e sonhar… caminhar até ao sol e furar…

Misturar tudo, fazer a combinação perfeita
Não acelerar demais, não quero que tudo se parta
Sinto que é muito sensível, é isso que o faz bonito também
Se há coisa que quero, é que confies em mim
Apesar de tudo, podes faze-lo
Sabes como é a minha cabeça
E eu confio em ti…

Às vezes um momento tão bom…
Mas depois volto a sentir-me num labirinto
Sinto-me perdido… sinto algo perdido
Suor nos olhos não me deixam ver com clareza
Estou cansado demais para pensar bem
Sei que me chateio sem razão…
Era bom que me pudesses por num sítio seguro
Sinto tanto ódio em mim
O meu coração deve estar preto
Por favor desculpa os meus modos…
Pensa que preciso de ti de qualquer modo…

Quando me perco, sei que tenho de correr sem ti
Tenho medo, quero escapar à pressa que sinto dentro de mim
Sinto-me afastado do meu pequeno mundo
E agora sinto-me retirado do teu…
Sinto-me fraco, incompleto
Não quero que me deites fora, não deixes que isso aconteca
Deixa-me contigo, é tudo o que preciso para ficar bem…
Sinto-me a finalizar… não quero…

Pára, e olha para mim…
Há algo em mim, eu sei que há algo especial dentro de mim
Toda a gente olha, mas ninguém pode ver o que só a ti te mostrei,
Há algo especial dentro de mim…
Algo que eu te posso mostrar, quero fazê-lo
Mas entende que não preciso de ouvir as palavras
Porque te conheco, porque já te sei sentir
Nunca quero deixar que aparecas como surpresa…

Não quero que no fim tudo seja algo apenas bonito
Uma fase em que as ondas e os sonhos,
não pareceram algo assim tão distante…
Quero que me mostres tudo o que
É suposto eu não ver de ti
Tudo o que ao começo sentia tão longe
E que agora posso sentir aqui
Se queres ter fé em alguma coisa
Conta comigo para te afastar, e te puxar para mim
Agora aperta-me e ignora a chuva…
Sente a minha cabeça ao lado do teu coração
Porque haverias de destuir tudo isto?

Quem me dera que sempre fosses fiel…
Mesmo que todo o mundo seja falso
E espero que saibas
Que és tu que eu vejo quando perco a vista…
Sabes como é complicado confiar em alguém,
Depois de tudo o que já me aconteceu…
Mas se estou a arriscar
Entende que não estou aqui para perder

A nossa relação parecia impossivel
Ou pelo menos pouco provável
Nunca pensei que fosses a pessoal que ia esperar
Apenas para te poder beijar
Quero-te atada a mim
Quero curar as feridas que tenho contigo
Sei que podes ser o que me vai matar
Mas és a pessoa que quero,
Tão preciosa, tão emocionante…
Menina insatisfeita, nem sabes como te adoro

Não me mintas, porque eu percebo
Quando olhas para os meus olhos
Deixas-me desconfortável
A dor que tentas esconder
Dá cabo de mim…
Eu tento fechar o silêncio
Mas ele apodera-se de mim
Ele volta, e volta sempre…
Não ves a dor nos meus olhos?
Não ves o que me estás a causar?
Porque estou sempre de volta a este buraco
Infelizmente tão familiar…

Se me acusas de ser inseguro,
Acho que no fundo tens razão
Porque sempre que acho que tenho razão
Há agonias que parece que não saeem de mim
Esta dor não me deixar ser
Eu tento preencher o vazio
Mas ele volta sempre para mim…
Com o que resta do meu sorriso
Com as lágrimas nos olhos
Eu continuo, sozinho,
Sempre a descer, por esta estrada
A que chamam vida…

Eu não me quero assim
Encaminha-me para alguma luz
Não me mantenhas na sombra
Não me mantenhas fixado em ti
Se sabes que não me posso dar a esse luxo
Tú és feita de sol,
Leva-me para a luz,
Tu es feita de sol,
Então...
Porque me deixas a caminhar cá fora?

Nós somos iguais…
Muito iguais…
Demasiado iguais…
Mas eu nao quero ver o fim
Peço-te, faz por mim,
Que eu faço por ti…

1 comentário: