Sempre me apaixonei
Por pessoas que nunca se preocuparam
Em exprimir as suas emoções
De um modo a que outros as pudessem fazer suas
Pena ter demorado a entender
Como são tão poucas...
Apenas depois entendi
Que apenas evitando o que se ama
Se tem hipótese de o refazer
Passando por
Mil rostos vazios
Tentando preencher um deles
Com a tua face...
Mas é impossível
Pois a esperança esta para mim
Como o coração está para os amantes
Apercebi-me
De todo o sofrimento
Que poderia-mos evitar
Se um rosto não passasse
De um relevo
Apercebi-me
Que não existem pessoas especiais
E que a única coisa de especial que têm
É o olhar de quem as contempla
Que a felicidade é apenas
Para os que desejam perder o privilégio
De serem normais...
De mergulharem
Num estado de loucura
Em que fazemos tudo
Depender de outra pessoa...
Sabendo que um dia
Tudo terá o seu fim...
Mas a separação tem algo terrível
Pois nunca nos deixa preservar
O que de mais belo tínhamos...
Adoraria
Poder despedir-me do mundo
E das duas ou três pessoas
Que verdadeiramente nos acompanham
Até ao seu fim...
Manter todos os meus sentimentos
Intactos...
Porque nunca suportei olhar sem ser olhado
Porque aprendi a adorar a dor
E a sentir a sua tamanha força
De modo que sem a sua intensidade
Tudo parece tão vazio...
E agora o meu mundo está assim
Vazio...
Mas ninguém cabe nele...
Porque não conheço ninguém
Que o consiga ver como tu vias
Porque no fundo,
Depois do caos
Somos todos iguais
Todos Procuramos a calma...
Grandes momentos conseguem
Cair no esquecimento do inconsciente
Como as mais belas coisas
Também elas desaparecem das nossas recordações...
Odeio conseguir sentir
O fim...
Como só eu sei ser o primeiro a senti-lo
Como eu sinto a necessidade
De dispensar a realidade do outro
Irrita-me sentir
Gestos que sei que não me pertencem
Que são apenas cópias de uma outra relação passada
De um corpo que ainda não soube esquecer
De uma relação que não me pertence
Irrita-me como
Apenas sinto o decisivo
Depois de ele passar por mim
Sob a forma de oportunidade perdida
De amor que podia ser
Mas que nunca foi...
Adoro segurar-te
Quando a tua boca sorri
E os teus olhos choram
Quando os teus pés levantam
E a tua face se abre...
Odeio como o silêncio
Consegue precipitar sentimentos
Que não queria deixar fugir...
Odeio como o amor não se pode refazer de recordações
Passado não é amor,
Passado é compaixão...
Odeio como
A vontade chega sempre
Atrasada em relação aos sentimentos
E as verdadeiras emoções nascem
Nos intervalos de atenção...
Adorei como
O teu rosto olhado de perto
Entrou em mim
Se tornou parte imediata de mim
Odeio como
Nunca soube falar bem
Das coisas que mais amo
Odeio como
Nunca me senti tão completamente só
Até ver quem mais me amou
Amar...
Odeio
Pessoas cheias de tragédias fúteis
Odeio-te...
Amo-te...
O amor é o menos reversível dos sentimentos
O único que nasce de uma ilusão que nunca poderá ser refeita
Nunca se volta a amar quem já se amou...
E agora...
Sinto que o meu futuro
É apenas uma sombra do passado
A presença de um espaço
Que subtrai todas as tuas palavras
Tenho saudades dos dias contigo
Eras a minha única ligação com a vida...
Tenho saudades do teu olhar
Tão constantemente o início de tudo...
Odeio saber agora
Que existia uma palavra que te poderia parar
Mas que eu não sabia
E que enquanto a procurava
Tu ias seguindo o teu caminho...
Odeio saber
Que é falsa tentação
Procurar no passado algo que
Possa trazer significado ao nosso presente
E admito...
Já há muito que não sinto
Disponibilidade para o presente
Não enquanto o passado
Me continuar a ultrapassar
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