5.4.12

Não é o Ciúme... é a Dúvida

Nunca somos verdadeiramente donos de nada.
Muito menos, de ninguém...

Um erro que, felizmente, a idade apaga — a dúvida.
Temos direito a sentir ciúmes, mas nunca deveriamos ter direito de o manifestar.
O ciúme é um sentimento de inferioridade.
Inferioridade em relação à pessoa que amamos, ou em relação à pessoa que consideramos ser invasiva.

Em momentos de fraqueza, acabamos por demonstrar o pior — que desconfiamos.
A dúvida é um direito.
Mas deveriamos pensar melhor antes de a demonstrar.
Ninguém é completamente seguro de si e, ao contrário do que se possa pensar, as pessoas que menos o aparentam podem ser até as mais inseguras.

A insegurança não desaparece com dinheiro, qualidade ou posses.
A insegurança não desaparece com o controlo.
Não temos o direito de tentar controlar ou manipular alguém.
Desaparece com a sabedoria, com a idade.
E não há sentimento melhor do que aprendermos a controlar-nos.
Aprender a sentir o ciúme não como algo que deve desaparecer, mas como algo que devemos aceitar.
Aceitar porque, no fundo, ele demonstra que nos importamos.
Aprender que se transformarmos ciúme em dúvida, ele não desaparece por isso.
Apenas se tranforma em dúvida.
E não é o ciúme que termina uma relação, são as dúvidas.
Passamos a não ser apenas nós mesmos a duvidar, mas sim ambos.

Não somos donos de ninguém.
Não podemos controlar tudo à nossa volta.
Pode não aparentar muitas vezes, mas é mesmo essa a beleza da vida.
O acaso...

Somos livres.
E, quando realmente gostamos de alguém, deveriamos apenas almejar a felicidade da pessoa.
É essa a diferença entre gostar de alguém, ou uma relação da qual apenas queremos tirar prazer.
É essa a diferença entre amor e posse.

É no dia que aprendemos a gostar assim que podemos ter a felicidade de saber o que é o amor.
É no dia em que deixamos o acaso entrar na nossa vida que tudo muda.
Quando deixamos respirar, nós também aprendemos a respirar.
Sentimos o vento na cara.
Aprendemos a sentir saudade.
Aprendemos a sentir ciúme.
Aprendemos a deixar ir.
Aprendemos a amar.

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