Mito ou não, uma relação duradoura, em que ambas as partes se completem e coexistem em harmonia e felicidade é, mais tarde ou mais cedo, um desejo de qualquer ser humano.
E se é verdade que ao começo tudo parece fácil e prometedor, o tempo existe precisamente para separar as relações casuais das que se comprometem a durar.
Mas porque duram mais algumas relações do que outras?
Será mais fácil responder a esta pergunta se adoptarmos uma psicologia inversa: porque acabam, a maioria das vezes, as relações?
(Deixando de parte factores como dificuldades económicas, relações à distancia, ou mesmo a morte).
Monotonia.
Esta assustadora palavra entra na vida da maioria dos casais.
Casais compostos por pessoas mais experientes, sensatas e imaginativas tendem a resistir, e assim atrasar o processo da entrada da monotonia num casal. Casais com rotinas elaboradas e mais imaginativas, onde o respeito seja um factor constante, tendem obviamente a perdurar mais do que um casal desequilibrado sentimentalmente.
Mas porque são as relações duradouras e equilibradas as mais procuradas? Porque queremos todos segurança e estabilidade?
Porque será que apenas desejamos uma relação assim quando chegamos aos 20/30 anos de idade, e não antes disso?
Porque coincide tal desejo com a nossa entrada no mundo de trabalho e numa fase de maior responsabilidade?
Na minha opinião, tudo isto não se trata de um acaso.
O desejo por uma relação estável esta, infelizmente, fortemente ligado a uma fase em que temos de nos focar mais na nossa carreira e onde teremos certamente mais responsabilidades.
Procurar constantemente por um parceiro ideal deixa de ser viável.
Reprimimos um dos nossos desejos mais intrínsecos desde o aparecimento da humanidade: a poligamia. E porque? Simplesmente, por falta de tempo e paciência.
Mas erradamente, muita gente associa o desejo por uma relação estável ao processo de maturação. Não me parece que estejam associados desse modo. As relações devem ser uma opção, e nunca apenas um sinónimo de maturidade.
Porque não vende a nossa sociedade uma ideia de que as relações neuróticas e instáveis são o que toda a gente deveria procurar? Porque almejamos tanto a estabilidade emocional? Porque preferem as pessoas viver relações longas que caminham para a monotonia, do que relações curtas e muito mais intensas, onde a separação acontece porque as pessoas não conseguem viver juntas nem separadas?
A resposta é ambígua, mas talvez a culpa não seja nossa.
Talvez tenhamos extendido demasiado o ciclo da vida humana.
Talvez lutar contra a natureza, tentando prolongar cada vez mais a vida humana tenha sido um erro pelo qual pagamos cada vez mais caro.
Talvez nunca tenhamos sido feitos para durar 100 anos, mas apenas 30 ou 40.
Talvez o problema não seja das relações, nem da monotonia.
Talvez o problema seja vivermos demais, demasiado tempo.
Demasiado tempo para sabermos dar valor.
Interessante. Ambígua será sempre esta questão ou não. O tempo falará por si. :)
ResponderEliminarO ser humano na pre historia tinha uma longevidade de 30 anos. Por isso relações longas eram pouco existentes. Na minha opiniao, a poligamia nao é reconhecida pelo simples facto da questão da sobrevivencia. Dá mais estabilidade no sentido em que tens um sitio fixo para viver, alguem com quem contar. Poligamismo implica um dinamismo social muito grande. Acredito que seja viavel talvez em zonas quentes em que nao seja necessario ter uma casa para sobreviver :P
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