Gostar de alguém tem destas coisas...
Podemos ter o nosso mundo
Sendo ele como for
Sendo ele como tiver de ser...
Às vezes até parece que tudo nele encaixa
De forma tão... calma
Tão serena, tudo de bom aparece
Sem um esforço que embora compensador,
Às vezes se tem como desnecessário
Gostar de alguém tem destas coisas tem...
Idealizamos alguém,
Do meio de uma amalga gigante de gente
Decidimos que alguém tem de se lhe sobressair
Talvez porque queremos tratar alguém de forma diferente
Talvez porque precisamos de estar com alguém de forma diferente
Talvez porque precisamos de alguém parecido, ou mesmo "igual" a nós
Ou simplesmente porque gostar é humano, amar é mortal
E é essa mesma mortalidade que nos torna frágeis em tantos aspectos
Mas é também essa mesma mortalidade que nos torna mais afectivos, mas abertos
Mais bonitos...
Porque sabemos assim que não estando cá para sempre
Temos de saber escolher na vida
Porque, e como se diz por ai na rua,
A vida não vai escolher por nós
E quando escolhe, em geral,
Não é do nosso agrado.
Peço perdão pelo termo
Mas, "que se foda o destino"
De facto, a meu ver, o único problema do "gostar"
É o facto de que acabamos por idealizar uma pessoa
Uma pessoa que queremos ver...
E como bem sabem, quem quer muito, muito tem,
E muito perde também...
Gostar de alguém tem, de facto, destas coisas
A aura que se instala sobre as nossas caras
Idealiza-nos acima de qualquer coisa, material ou humana
Tudo em redor tende a desaparecer...
A nossa permeável cabecinha é invadida
Por uma projecção de um ser perfeito
Um ser imaterial, que transcende tudo o que já conhecemos
Um ser cheio de graça, uma tal leveza de ser
Que se nos abandonar, a nossa vida acabaria por terminar...
Uma pessoa que nem parece apenas uma pessoa
Subtil, revestida por um óptimo incenso e um sorriso completamente sereno
Flutua pelo soalho da casa com uma bondade celestial
Que nos Encanta,
Que nos Ofusca,
Que nos mata,
Que nos faz viver
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