Hoje, de regresso a casa
Vi um homem a caminhar sozinho
Pareceu-me tão triste
Tinha um olhar tão distante
De todas as pessoas
Por quem já me havia cruzado
Naquele dia...
Ele perdeu o seu lugar
Ele já não tem o que chamar de seu
Os seus passos ecoavam
Na distância que ele tinha
De uma vida de que realmente
Já gostou
Da qual quase se podia orgulhar
Ao virar da esquina
Ele viu uma montra com o vidro partido
Ficou imóvel a olhar para ela
Tentando fazer sentido
Ele só queria sentir
Algo do que tinha, de novo
Fechou os olhos...
Ele pensava
Como pode a vida mudar tanto
Em tão pouco tempo
Como podem as pessoas
Mudar com tão pouco
Por tão pouco...
Como pode tudo desabar assim
Como pode algo
A que dedicas-te tanto tempo
Desaparecer da tua vida
Como se nunca nela estivesse estado...
E tudo o que ele precisava
Era dela, apenas ela,
Para se sentir bem...
Ele não dormia
Ele não sonhava
Mas também não conseguia
Estar acordado...
Ele não conseguia ver
Através de tudo o que se tinha passado
Estava encalhado em memórias mortas
Semi consciente
Apenas para puder escapar aos seus medos...
Aproximei-me, um pouco mais dele
Disse-me que tinha saudades do tempo
Em que podia andar de cabeça erguida
E que agora
Tudo isto só desaparece
Quando ele está com ela...
O homem abriu os olhos
Ainda estava à frente da montra partida
Esse homem,
...
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