17.5.10

O sítio que tanto queremos

Envolto em nada
A escuridão cai
Sinto a dor
Sinto a fuga

Vivo no teu inferno
Vivo do teu fantasma
Vivo no teu fim

Porque nunca me consigo sentir
No sítio
No sítio onde tanto quero
Poder pertencer...

Não quero perder tempo
Não quero perder mais tempo...

Tudo o que disseres
Eu aceito
Tudo o que fizeres
Será eternamente certo

E o silêncio será agora
O nosso caminho

Navego no teu mar
Em declínio
Mas não consigo
Quebrar as tuas ondas

Apenas sinto
As luzes apagarem
Deixei-te dormir
Como pude
Deixar-te dormir...

Porque estava acabado por dentro
Porque estava partido
Porque não me soube arranjar a tempo
Porque não tive o tempo

Porque quando eu te beijava
Eu saia de mim mesmo
E sempre foi isso que me fez sentir
Vivo

No fundo apenas precisava de ti
Para estar contigo...

As coisas que fazemos a quem amamos
Como fazemos tudo morrer
Como se houvesse algo nelas
Que nunca poderá ser nosso...

Como destruimos o mundo
Que tanto nos demorou a construir
Como o colocamos
Tão fora do nosso alcance

Sem o amor
Tão cheio que podia
Enviar-nos em qualquer direcção

Sem o toque
Tão sentido que
Apagava todo o mundo

Mas quando largas-te
Tudo o que me disseste
Tudo o que pedi para nunca largares
Tudo o que pedi para nunca esqueceres

Tudo o que martelava na minha cabeça
Mesmo quando tudo parecia tão errado
Teve de desaparecer também

E assim se apagou
O sítio que mais demora a construir
Mas que mais rapidamente se pode destruir
O nosso sítio
Equilibrado e invisível, mas palpável
O sítio que tanto queria
O sítio que tanto continuo a querer
O sítio pelo qual, no fundo,
Todos vivemos
O sítio que tanto queremos.

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