17.7.12

Por Menor

Quando reconhecemos a grandiosidade do mundo é que nos apercebemos que ele não é feito de coisas grandes, mas sim de pormenores.
É o pormenor que mostra o mundo.
É o pormenor que nos faz sentir a vida.

Tempo

Há uma diferença entre não fazer nada e desperdiçar tempo.
O tempo gasto a não fazer nada, não é tempo gasto.
Mas há tempo que Infelizmente desperdiçamos.
E tempo desperdiçado, é a única coisa que não podemos reciclar.

A Importância dos Rituais

Numa sociedade crescentemente instável, nunca foi tão grande a importância dos rituais como o casamento e o baptismo (a título de exemplo).
Estes processos artificiais criados pelo ser humano servem, mais do que nunca, para atribuir segurança onde ela não existe.
Nem tem de existir. Porque tem tudo de ser seguro? Porque tanto almejamos a segurança? 

Vida e Morte

A morte, infelizmente ainda mais do que a vida, faz tudo parecer completamente obsoleto.
Se morrer pode parecer um mistério injusto e incompreensível, ainda mais o é a vida.

Tive, recentemente, oportunidade de partilhar os últimos momentos antes da morte de um amigo.
Tenho a dizer que foi, até hoje, dos momentos mais estranhos que vivi.

Como confrontar a morte, se não a entendemos?
Para entender algo verdadeiramente é preciso experienciá-lo.

Ora, a morte não é, como sabem, das coisas mais fáceis de experienciar...

E se ninguém entende a morte, menos pessoas ainda entendem a vida, porque não a vivem.

Como encarar a morte de um familiar?
Do nosso grande amor?
Para onde nos viramos?
O que pensamos? o que fazemos?
O que pode atenuar o que sentimos?
O tempo?

Talvez devêssemos aprender a sentir-nos assim. 
Talvez tudo isto faça parte do processo de aprender a viver.
Até porque não há outra solução.

Todos os Dias

Todos os dias
Não passam de stress e agonia para mim

Não consigo parar de pensar
Como levaste o melhor de mim

Não consigo entender
O modo como ainda me afectas

Pensavas mais em mim
Se nunca estivesse lá para ti?
Claro que sim...

Porque só queres
O que não podes ter

E enquanto isso
Eu vou ficando aqui preso

Porque tu não sentes
Não sentes nada de nada...

Tenho de me afastar da realidade
Perseguir sonhos

Tudo desaparece das minhas mãos
Tudo de bom se afasta de mim

E não consigo entender porque é que 
Pelo menos tu
Não me deixas tentar...

Pensavas mais em mim
Se nunca estivesse lá para ti?
Claro que sim...

Porque tu não sentes
Não sentes nada de nada...

19.6.12

Porque Terminam as Relações?


Mito ou não, uma relação duradoura, em que ambas as partes se completem e coexistem em harmonia e felicidade é, mais tarde ou mais cedo, um desejo de qualquer ser humano.
E se é verdade que ao começo tudo parece fácil e prometedor, o tempo existe precisamente para separar as relações casuais das que se comprometem a durar.
Mas porque duram mais algumas relações do que outras? 
Será mais fácil responder a esta pergunta se adoptarmos uma psicologia inversa: porque acabam, a maioria das vezes, as  relações?
(Deixando de parte factores como dificuldades económicas, relações à distancia, ou mesmo a morte).

Monotonia.
Esta assustadora palavra entra na vida da maioria dos casais.
Casais compostos  por pessoas mais experientes, sensatas e imaginativas tendem a resistir, e assim atrasar o processo da entrada da monotonia num casal. Casais com rotinas elaboradas e mais imaginativas, onde o respeito seja um factor constante, tendem obviamente a perdurar mais do que um casal desequilibrado sentimentalmente. 
Mas porque são as relações duradouras e equilibradas as mais procuradas? Porque queremos todos segurança e estabilidade? 
Porque será que apenas desejamos uma relação assim quando chegamos aos 20/30 anos de idade, e não antes disso?
Porque coincide tal desejo com a nossa entrada no mundo de trabalho e numa fase de maior responsabilidade?

Na minha opinião, tudo isto não se trata de um acaso.
O desejo por uma relação estável esta, infelizmente, fortemente ligado a uma fase em que temos de nos focar mais na nossa carreira e onde teremos certamente mais responsabilidades.
Procurar constantemente por um parceiro ideal deixa de ser viável.
Reprimimos um dos nossos desejos mais intrínsecos desde o aparecimento da humanidade: a poligamia. E porque? Simplesmente, por falta de tempo e paciência. 
Mas erradamente, muita gente associa o desejo por uma relação estável ao processo de maturação. Não me parece que estejam associados desse modo. As relações devem ser uma opção, e nunca apenas um sinónimo de maturidade.

Porque não vende a nossa sociedade uma ideia de que as relações neuróticas e instáveis são o que toda a gente deveria procurar? Porque almejamos tanto a estabilidade emocional? Porque preferem as pessoas viver relações longas que caminham para a monotonia, do que relações curtas e muito mais intensas, onde a separação acontece porque as pessoas não conseguem viver juntas nem separadas?

A resposta é ambígua, mas talvez a culpa não seja nossa.
Talvez tenhamos extendido demasiado o ciclo da vida humana. 
Talvez lutar contra a natureza, tentando prolongar cada vez mais a vida humana tenha sido um erro pelo qual pagamos cada vez mais caro.
Talvez nunca tenhamos sido feitos para durar 100 anos, mas apenas 30 ou 40.
Talvez o problema não seja das relações, nem da monotonia.
Talvez o problema seja vivermos demais, demasiado tempo.
Demasiado tempo para sabermos dar valor.

Ser Feliz, Sofrendo


O sofrimento é-nos, de forma errada, apresentado como o oposto da felicidade. 
Quando perguntamos a alguém para que serve a vida, é muito comum ouvirmos: "quero ser feliz".
Primeiro que tudo, quem diz isto, para além de não estar feliz, não o merece ser e, provavelmente e felizmente, nunca o vai ser.
As pessoas não entendem o que é a felicidade porque nunca poderão ter a certeza de a ter experienciado.
Em segundo, se toda a gente deseja a felicidade, e mais ainda diz que a atingiu e que é, portanto, feliz, como pode isso ser bom?
Com pode algo tão banalizado ser o objectivo das nossas vidas?
Não é. Não poderia. Não faz sentido.
Felicidade é para os tolos.

O sofrimento representa o caminho depois da felicidade.
Apenas sabe sofrer quem sabe o que é ser feliz.
Apenas consegue tirar prazer do sofrimento quem já foi feliz.

Nem a felicidade nem o sofrimento são estados permanentes, mas sim flutuações do ser.
Não há maior pateta do que a pessoa que diz estar sempre feliz.

Encontrar o prazer no sofrimento é um longo caminho e poucos o atingem de forma plena.
Mas é o caminho certo.
É o único caminho para ser um ser completo.

30.5.12

A Violência Num Beijo

Parte1.

A beleza é essencial
É única
É fragil
Facilmente mutável
É a mais importante característica
que qualquer ser humano pode possuir

Já viram alguém belo e burro?
Nunca viram...
Há pessoas bonitas, engraçadas; que são burras

Mas beleza é outra coisa
É preciso ser inteligente para ser belo

Por outro lado,
Há muita gente inteligente e feia
Modelos aborrecem-me
Tem de existir falha, desajeite, defeito


Parte2.

Na noite isolada
O teu beijo, o mais belo
Contemplar a tua face faz parar o tempo
Era capaz de te olhar para sempre
O teu beijo sustem a minha respiração
Um sentimento tao forte, que se torna indefinido
Não sei se rio ou se choro

O mundo resume-se a ténues luzes a nosso redor
É neste instante que quero morar
É aqui que quero gastar a minha vida
Preso em nós
Não quero degenerar, nao quero mudar
Pois o tédio entedia-me

Deixar a tua pele deslizar na minha
Beijar os teus lábios, entreabertos
Puxar levemento o cabelo da tua nuca
Sentir os meus dedos deslizar pelo teu cabelo
Emoldurar o teu rosto com as minhas mãos

Não te quero proteger do mundo
Quero proteger o mundo de ti
...

Os olhos abrem-se ligeiramente
Apenas para se fexarem, para um novo beijo

O dom da palavra certa do momento certo
Do beijo oportuno
A beleza de toda a violência contida
Num beijo aparentemente tão apaixonado


5.4.12

Não é o Ciúme... é a Dúvida

Nunca somos verdadeiramente donos de nada.
Muito menos, de ninguém...

Um erro que, felizmente, a idade apaga — a dúvida.
Temos direito a sentir ciúmes, mas nunca deveriamos ter direito de o manifestar.
O ciúme é um sentimento de inferioridade.
Inferioridade em relação à pessoa que amamos, ou em relação à pessoa que consideramos ser invasiva.

Em momentos de fraqueza, acabamos por demonstrar o pior — que desconfiamos.
A dúvida é um direito.
Mas deveriamos pensar melhor antes de a demonstrar.
Ninguém é completamente seguro de si e, ao contrário do que se possa pensar, as pessoas que menos o aparentam podem ser até as mais inseguras.

A insegurança não desaparece com dinheiro, qualidade ou posses.
A insegurança não desaparece com o controlo.
Não temos o direito de tentar controlar ou manipular alguém.
Desaparece com a sabedoria, com a idade.
E não há sentimento melhor do que aprendermos a controlar-nos.
Aprender a sentir o ciúme não como algo que deve desaparecer, mas como algo que devemos aceitar.
Aceitar porque, no fundo, ele demonstra que nos importamos.
Aprender que se transformarmos ciúme em dúvida, ele não desaparece por isso.
Apenas se tranforma em dúvida.
E não é o ciúme que termina uma relação, são as dúvidas.
Passamos a não ser apenas nós mesmos a duvidar, mas sim ambos.

Não somos donos de ninguém.
Não podemos controlar tudo à nossa volta.
Pode não aparentar muitas vezes, mas é mesmo essa a beleza da vida.
O acaso...

Somos livres.
E, quando realmente gostamos de alguém, deveriamos apenas almejar a felicidade da pessoa.
É essa a diferença entre gostar de alguém, ou uma relação da qual apenas queremos tirar prazer.
É essa a diferença entre amor e posse.

É no dia que aprendemos a gostar assim que podemos ter a felicidade de saber o que é o amor.
É no dia em que deixamos o acaso entrar na nossa vida que tudo muda.
Quando deixamos respirar, nós também aprendemos a respirar.
Sentimos o vento na cara.
Aprendemos a sentir saudade.
Aprendemos a sentir ciúme.
Aprendemos a deixar ir.
Aprendemos a amar.

21.3.12

Nunca Fui Bom o Suficiente Para Te Encontrar

Pequenos pensamentos na minha cabeça
Pequenas pulsações do meu coração

Pequenas recordações matam-me aos poucos
Todos os segredos que nunca soube...

Fora de guarda,
Nunca preparado para isto...

Nunca fui bom o suficiente para te encontrar
Nunca fui mau o suficiente para me importar
Em todo o meio,
Eu faço o meu melhor...
Mas nunca fui bom o suficiente para te encontrar...

Darte-ia tudo para...
Me dizeres que nunca queres ir
Que nunca vais querer que eu vá
Diz-me que nunca vais morrer antes de mim...

Quero que saibas que sou teu
Apenas teu...
Por favor, diz-me que não vais desistir
Que me vais perseguir...

Darte-ia tudo para...
Me dizeres que vamos ficar juntos
Juntos enquanto cá estiver

Pequenas variações no meu percurso
Quando pequenas portas se abrem no meu caminho
Pequenos tempos de solidão
Tão pouco tempo passou
Tão pouco tempo sinto que temos...

Tão pouco tempo
Para saber quem realmente és...
Tão pouco tempo
Para confiar...
Tão pouco tempo
Para me deixar perder em ti...

Aprendi a ver os padrões na tua face
Mas...
Tão pouco tempo para ver o que te fiz de bom...

Nunca fui bom o suficiente para te encontrar
Nunca fui mau o suficiente para me importar
Em todo o meio,
Eu faço o meu melhor...
Mas nunca fui bom o suficiente para te encontrar...

Darte-ia tudo para...
Me dizeres que nunca queres ir
Que nunca vais querer que eu vá
Diz-me que nunca vais morrer antes de mim...

O Resto de Mim

Tu eras a tal
Fizeste-me morrer
Até não haver mais nada de mim...

Eu, eu tocava a tua face
Segurava-te tão perto de mim...
Até não poder mais respirar...

Porque me dás esperança
Para depois desistir de mim...
Deixa-me salvar
O resto de mim...

Vejo-te
Mas não posso ter o resto de ti
Portanto deixa-me agora
Porque preciso de ti
Mas não posso precisar mais...
Tu hesitas...
Tu matas...
O resto de mim...

Por vezes apareces de novo
Como se existisses de novo para mim
Sabes que eras a tal
Eras tudo...
Continuo aqui
Mas desta vez
Tenho de manter o resto de mim...

Tu eras a tal
Fizeste-me morrer
Até não haver mais nada de mim...

Porque me dás esperança
Para depois desistir de mim...
Deixa-me salvar
O resto de mim...

Apenas Eu e Tu

Enquanto fecho os olhos e me despeço
Viro costas à pessoa que me diz tudo
Sem proferir uma palavra...

Sinto que o meu coração está errado
Sinto que ficou tempo demais...

Agora que acabou
Sei que cada vez que tentei
Estava apenas a pensar que ia viver
Sem nunca morrer...

Nunca quis destruir
Um sonho tornado realidade
Nunca quis destruir
Alguém como tu...

Ainda espero que me dês um sinal...

No escuro, somos todos iguais
Todos estamos sozinhos
Todos temos um sítio onde precisamos de nos esconder
De tempo a tempo...

Agora que tudo acabou
Vamos sarar até que,
Um dia,
Seremos apenas eu e tu de novo...

Enquanto fecho os olhos e me despeço
Viro costas à pessoa que me diz tudo
Sem proferir uma palavra...
Sei que um dia
Seremos de novo
Apenas
Eu e tu

Esquecer...

Alguma coisas são melhor esquecidas
Apenas visitadas por nós mesmos...

Porque nunca ninguém nos diz o que fazer
Quando perdemos tudo...

Porque olhas para mim...
O que queres ouvir?
Queres saber as vezes que me desfiz por ti?

Porque olhas para mim...
O que queres saber?
Faz-te sentir viva
Saber que tive de morrer para tu poderes ir
E ser feliz...

Eras tão imperfeita
Mas a mais perfeita para mim
As nossas loucuras encontravam-se
Enquanto eu e tu estavamos perdidos...

Porque nunca ninguém nos diz o que fazer
Quando tudo afinal era mentira...

Porque olhas para mim...
O que queres ouvir?
Queres saber as vezes que me desfiz por ti?

Porque olhas para mim...
O que queres saber?
Faz-te sentir viva
Saber que tive de morrer para tu poderes ir
E ser feliz...

Apenas pude,
Esquecer...

Mais Um Pouco

Já senti o prazer e a dor
O meu interior muda
Como o tempo...
Mas a única constante é a chuva...

As minhas emoções são preto no branco
Nunca ouve espaço para manchas de cinzento
Nunca te pedi para gostares de mim
Apenas te pedi que ficasses,
Mais um pouco...

Esperei por ti
Mas nunca voltaste
Espero por milagres em vão
Mas milagres não acontecem
Milagres não acontecem...

Ainda sonho que estamos juntos
Ainda sinto a tua pele
O meu maior medo
É sentir-me morrer outra vez...

Não mereço saber o que pensas
Mas quem me dera saber
Se ainda pode acontecer...

Esperei por ti
Mas nunca voltaste
Espero por milagres em vão
Mas milagres não acontecem
Milagres não acontecem...

As minhas emoções são preto no branco
Nunca ouve espaço para manchas de cinzento
Nunca te pedi para gostares de mim
Apenas te pedi que ficasses,
Mais um pouco...
Apenas mais um pouco...

Espero Que Também o Consigas Sentir...

Diz-me porque estás a fugir de mim
Precisas de mim?
Acreditas em mim?

Não conheço mais ninguém
Não quero mais ninguém
Precisas de mim?
Acreditas em mim?

Não tenho onde ficar
Não tenho para onde ir...
Precisas de mim?
Acreditas em mim?

Posso não ser perfeito
Mas sei que te posso salvar...

Espero que nunca vás
Espero que também o consigas sentir...

Não entendo porque me ouves
Mas sei que o fazes
Precisas de mim?
Acreditas em mim?

Diz-me que precisas de mim
Diz-me que pensas em mim
Acredito numa mentira
Porque nunca estive tão perdido...

Agora que sei que não sou nada
Tenho de te ter a ti
Se me amas-te uma vez
Podes-me amar duas

Porque o que sinto por ti
Nunca desapareceu...
Espero que nunca vás
Espero que também o consigas sentir...

1.3.12

Tudo É Tão Delicado

Tudo se resume a como misturas os dois
E a quão sensível é todo o processo

Tudo começa onde a luz acaba
É um sentimento que ninguém deveria perder

Queima um buraco no teu peito
E tudo o que consegues pensar é...

absolutamente nada...

Escusas de procurar
Se procurares
Nunca irás encontrar...

Secalhar devia ter feito alguma coisa
Mas sinto que já fiz demais...

Espero que depois de tudo isto
Possa sentir de novo o que é viver

É um sentimento que ninguém deveria perder

Queima um buraco no teu peito
E tudo o que consegues pensar é...

absolutamente nada...

Secalhar devia ter dito alguma coisa
Mas sinto que já disse o suficiente

As minhas palavras começaram a desaparecer
Quando deixas-te de te importar

9.2.12

Sonhos

Sempre ouvi dizer que sonhar é essencial e que se recomenda.
Há quem vá mais longe e diga que quem não sonha está "morto".
Não podia concordar mais...
Mas sonhar é um vício.
Queremos sonhar mais, melhor, mais alto...

O que se esquecem de nos dizer é que nunca se deve tocar nos sonhos.

Eu sei que sonhos são bons porque são precisamente isso... sonhos... não são suposto passar disso mesmo, e apenas assim são "perfeitos", "eternos".

Regra geral, quando os queremos tornar em algo real, físico, palpável, a coisa corre mal.

Transportar um sonho para a realidade é, de facto, cometer suicídio.
Talvez pior ainda do que não sonhar, é matar um sonho.

Mas será assim tão ingénuo querer fazer isso? Querer tornar um sonho perfeito numa realidade perfeita?
E no caso de termos consciência de que será um erro, mas mesmo assim quisermos arriscar, mesmo sabendo que não será tão bom como no sonho? E se um sonho for tão bom que arriscamos matá-lo para poder sentir uma parte infima da sua beleza na nossa realidade... para podermos tocar um sonho.

25.12.11

Do Frio, com Amor

Acredito hoje que não existem mulheres tão aprazíveis como as Nórdicas.
Cada uma delas possui o dom mais precioso do mundo: a juventude.
Cada uma delas possui o segundo dom mais precioso do mundo: a beleza intemporal.
Cada uma delas possui o terceiro dom mais precioso do mundo: a loucura.

São seres belos, insatisfeitos por natureza.
São seres muito sexuais, porém extremamente frios.

Parecem demasiado novas para amar, demasiado distantes para se importar.

Mas o tempo tem um modo engraçado de nos mostrar como as pessoas mudam.
O processo de conquista de uma mulher Nórdica é o mais prazeroso do mundo.
Assistir ao quebrar do gelo dos seus corações é uma experiência pela qual todos os homens deveriam passar pelo menos uma vez numa vida.

Amor e Ódio

Estou a escrever
Não para dizer que te odeio
Apenas para te perguntar como te sentes

Ainda me sinto tão confuso
Sempre que penso em tudo
Como tudo desabou
Como tudo acabou...

Será que estás feliz?
Por onde andarás tu...
Ainda pensas em mim?
Ainda te lembras de nós...

A estrada é mais complicada sem ti
Ninguém me entende como tu entendias...

Tudo me parece tão vazio
As pessoas tão falsas
As paisagens sem cor...

Tu eras a tal...
Mas agora existe um mundo entre nós
Apesar disso,
Sinto que não estamos longe...

Toda a gente está a mudar
Toda a gente quer viver sem pensar
Eu não sou assim, nunca fui
E tu eras a única pessoa que me compreendias

Porque será que nunca consegui imaginar
Que tudo o que tinhamos poderia acabar...

Quem me dera poder conhecer-te de novo
Sem dor nem recalcamento
Mas sei que se agora te abraçasse
Não iria sentir o que tanto sempre quis sentir em ti

Nada dura para sempre
E ambos sabemos como os corações mudam
Porque é tão complicado segurar numa vela
Sem a deixar apagar...

Passámos por tanto
Soubemos viver a felicidade do momento
Soubemos apreciar a dor do tempo
Fizemos tudo o que fizemos

Para depois apenas nos sabermos odiar...
Às vezes penso mesmo que mais valia nunca te ter conhecido...

Amantes vão e vêm
E hoje em dia já ninguém sabe bem
Quem deixa andar, quem se afasta

Ninguém é de ninguém
Mas isso não me impede de ter saudades
Saudades de sentir segurança
De saber que és minha, só minha...

Todos precisamos de tempo para nós
E eu sei como é complicado manter o coração aberto
Quando mesmo até os nossos melhores amigos nos podem magoar
Mas para gostarmos de alguém temos de dar tudo o que temos
Mesmo sabendo que vamos sofrer...

Escolher as pessoas certas
Para que apenas essas nos possam magoar
Porque pelo menos assim
Sabemos que vai valer a pena...

Há lembranças que nunca vou perder
Hei de morrer e levar-te comigo
Ficarás comigo para sempre
Porque pelo menos isso
Eu posso fazer...

Cemitérios

Depois de fingir que repetia as frases do padre na missa, finalmente saimos para o frio e a desolação do enublado cemitério.
É incrivel como um cemitério pode simbolizar a morte, mas ser um dos lugares mais misteriosos e encantadores no mundo.
Todos os cemitérios onde entrei exerceram esse poder quase indiscritível sobre mim.
Guardam a promessa da vida eterna em caixões. Alguns são colocados bem debaixo da terra. Outros ao nível do solo. Outros são mesmo elevados em imponentes casebres feitos de mármore maciço. É incrivel como até em questões tão humanas e nobres como a morte são notórias as diferenças sociais.
Mesmo estando ao lado de tantos mortos, nunca me senti tão longe deles.

Aeroportos

Um aeroporto é, juntamente com os cemitérios, um dos lugares mais fascinantes do mundo.

Quando estou sentado à espera do meu vôo, há uma sensação de prazer e calma que me invade. E isso é estranhíssimo. Tanto porque deveria estar preocupado com o tempo de modo a não perder o vôo, tanto porque não me deveria sentir assim num local que não é a minha casa. Um aeroporto é, apesar de tudo, um dos locais mais impessoais do mundo.

Um aeroporto consegue ser fascinante porque, para além de nos dar essa sensação paradoxal de tranquilidade e calma, representa muitas outras.

Num aeroporto assistimos tanto a abraços e beijos de um casal que se reencontra passados vários meses, como a lágrimas e abraços desesperados de casais que sentem o aperto dos últimos segundos a que têm direito antes de se afastarem por um longo período de tempo.

Um aeroporto é o local que consegue representar o expoente máximo do frio e do calor humano. Aqui, emoções têm de ser expressas de uma forma apressada num contra-relógio constante contra os aviões que, de 5 em 5 minutos, partem e aterram.

Paraíso

A palavra paraíso não é muito utilizada nos dias de hoje. O seu significado, a noção do que poderia ser e do que nos poderia fazer sentir se o encontrassemos, essa então, por poucos foi pensada.
Antes que pensem outra coisa, eu não acredito no paraíso. Acredito sim que aceitamos viver a nossa vida num local fixo, cheio de regras enfadonhas e que nos coloca pouco tempo para de facto vivermos. A sociedade faz-nos acreditar que precisamos de dinheiro, e que para o obter, temos de trabalhar toda a nossa vida. Mas para quê? Para podermos aproveitar quando já não trabalharmos e estivermos velhos? Para podermos aproveitar as nossas 2, 3 ou 4 semanas de férias, passadas no resort onde nem o próprio local chegamos verdadeiramente a conhecer?

Não acredito no paraíso, e não vos peço que acreditem. Mas peço que pensem e questionem a vossa vida tal como ela é agora, tal como ela tem sido, e tal como vai continuar a ser se não fizermos nada em relação a ela.
Há um paraíso no qual acredito. O mundo é enorme. E muitas vezes sofremos porque achamos que estamos sozinhos ou porque pensamos que existem lugares onde nunca poderemos ir. E sabem que mais? Temos razão em pensar assim. Porque secalhar não somos loucos. Secalhar apenas nascemos num local que nada nos diz, rodeados de pessoas que não sentem o mesmo que nós.
Há um paraíso no qual acredito. Há lugares especiais, momentos mágicos e pessoas que nos marcam para sempre. São essas as coisas que valem a pena. Tudo o resto é ruído.

14.12.11

Momento

Não sabemos
E apenas o tempo o irá ditar
Mas será muito mais especial
Depois de todos chegarmos...

Promete-me que o tempo não irá passar
Dança nas minhas lágrimas
Beija-me e não me deixes sentir a solidão

Desaparece comigo na luz da manhã
Perde-te nas sombras da noite
Não temos necessidade de mais ninguém...

Não temos de ouvir
Porque estamos sempre ocupados a falar sobre nada
Mentimos porque a verdade é um tédio
Deixamos os sonhos escapar
Porque temos medo da verdade...

23.11.11

A Vida Que Vivemos Não É Nossa

Viver é como desenhar, mas sem nunca podermos utilizar a borracha.
Tudo o que fazemos, e mesmo o que não fazemos, jamais pode ser apagado ou esquecido. A memória é uma dádiva, mas também pode ser o maior fardo que iremos carregar para o resto da vida.
A fácil comodidade do sítio e tempo em que eu e tu vivemos tornou as nossas vidas sem vida. Nunca nos soubemos fazer homens, porque nunca tivemos de o fazer. Porque se formos crianças a vida toda, ela também passa...
Mas esta vida que vivemos não é nossa, é de outra pessoa.
É por isso que apreciamos ler uma boa história. É por isso que choramos a ver um bom filme...
Mas é também por isso que estas coisas nunca nos completam e achamos sempre que falta algo em nós — porque estas coisas não são nossas, não somos nós. E essa é possivelmente a única coisa onde temos razão...
A vida que vivemos não é nossa.

9.11.11

Pessoas...

Toda a gente gosta de se aparentar mais forte do que realmente é.
É incrivel como as pessoas condenam a mentira que passa de boca em boca, mas se esquecem de condenar quando mentem a elas próprias.
Toda a gente deveria ter o seu próprio jugamento silêncioso. Mas até entendo porque as pessoas não o façam… porque viver se tornaria rapidamente em algo impossível.

As pessoas mentem quando dizem que gostam do que fazem, que o que fazem é o que sempre quiseram fazer. Isso é mentira, as pessoas adaptam-se de uma forma tão grande à situação que sim, passado uns tempos se esquecem dessa adaptação e acham que o que fazem é realmente o que sempre desejaram fazer. Mas não era, pois não?

As pessoas mentem quando dizem que são livres e fazem o que querem fazer. Isso é mentira. Ninguém é livre, mesmo quem não tem nada nem ninguém a perder.

As pessoas mentem quando dizem que se aparentam com o que sempre se quiseram aparentar. Isso é mentira. A triste verdade é que apenas podemos fazer o melhor que pudermos com o que nos dão. A confiança que se tem num dia pode rapidamente desaparecer no dia seguinte.

E por fim, onde as pessoas mais mentem…
As pessoas mentem quando dizem que estão com a pessoa que sempre quiseram estar, que sempre desejaram. A triste verdade é que é exactamente neste campo onde as pessoas se adaptam mais ao que têm, ao que lhes convém. As pessoas estão dispostas a mentir a elas mesmas que estão com a pessoa que amam, quando não estão, apenas para que o resto da sua vida possa correr sem grandes sobressaltos…
Por falar em sobressaltos, parece que já ninguém os quer ter. Parece que as pessoas preferem a sua vida metodicamente organizada e nela, uma relação, não passa de mais um dos componentes que tem de "estar no sítio", arrumada na gaveta que diz "relações".
O amor parece ter morrido nestes últimos tempos, trocado pela utilidade. As pessoas já não amam as pessoas e usam as coisas. As pessoas amam as coisas e usam as pessoas.

27.10.11

Conversa de Bar

Quando uma pessoa entra numa sala
Traz toda a sua vida consigo...

Provavelmente ela preferia estar
Noutro local que não aquele...
Provavelmente deveria estar a fazer outra coisa
E possivelmente está a pensar em alguém.

Sentei-me e ouvi a sua história
Como ela chegou aqui
Como ela se esqueceu de para onde ia...

Ela disse-me que o mundo não é perfeito
E que as pessoas erram
Mas erram porque querem
Muito, muito mais...
E que acredita que apenas assim podem ser felizes

Disse-me que está cansada que lhe aconteçam coisas más
Eu respondi-lhe que coisas boas e más estão bem mais próximas do que se pensa

Ela perguntou-me pela minha história...
Contei-lhe a verdade...

Que tinha conhecido uma pessoa
Mas que tipos como eu nunca acabam com a pessoa que tanto queriam
Porque querem sempre mais...
Mas que adorava ter sabido que aquela ia ser a nossa última vez juntos
Que sempre pensei que a tinha conhecido para as nossas vidas serem melhores
Que julguei que a face dela ia ser a última...

Mas depois entendi...
Que as pessoas nunca mudam
Que onde eu começava, ela acabava
E que tinha apenas dois refúgios.

A arte, e os amigos
Partilhar uma fase negra em comum com um amigo é o melhor sentimento do mundo
E a arte... essa tem de sair perfeita... porque a vida é complicada demais para isso.

Perguntei-lhe pela história dela
Mas honestamente já não me lembro...

No fim ela queria que eu a conhecesse melhor
Mas eu já a conhecia...

17.10.11

Alguém Como Nós

O que temos nosso?
O que possuimos verdadeiramente?
Quando não estamos a fingir...

Hoje sei que
Apenas quando se perde tudo
O nevoeiro finalmente desaparece
E podemos entender o que realmente
Sempre quisemos...

Porque
Pior do que sentir falta de alguém
É nem saber do que se sente falta
É sentirmos que não nos sabemos sentir...

É sentir que algo está errado
Que algo está fora do seu lugar
Mas não sabermos o que nos continua a manter deste modo
Porque nem sabemos qual é o nosso lugar

Quero que saibas
Que não estás sozinha
Não precisas de mo dizer
Sei que sentes o mesmo que eu

Fizeste-me entender
Que a única coisa que me impedia de ser feliz
Era o achar constante
De que estava sozinho

O olhar para a minha vida
Não como algo meu
Mas como algo que apenas arranhava
Tentando entrar nela
Sem nunca conseguir...

Adoro todos os segredos
Todo o modo como te revelas para mim
Quando no escuro
Nos deitamos

Como sem proferir uma palavra
Todo o mundo faz sentido
Como no silêncio
Nos sabemos encontrar

Gosto de ti
Porque entendo o que sentes
Porque fazes com que nao exista mais espaço
Para eu sentir seja o que for

Porque me fazes sentir
Que não preciso de sentir seja o que for mais
Porque me fazes sentir
Que está tudo aqui mesmo

E eu não queria estar
Em qualquer outro lugar agora mesmo...

Porque gostarmos um do outro
Nunca significou sermos inseparáveis
Significa que mesmo quando nos separamos
Nada vai mudar...
Nada pode mudar...
Porque nos amamos

3.10.11

Revelar

Como uma melodia inacabada
Tocada num céu incerto
Iluminou
O teu caminho

Uma estranha luz
Irá guiar a tua vida
Até se apagar...

Para que saibas...

Nesta vida
Nunca vais ficar sozinha
Desde que confies cegamente
Desde que nunca demonstres
O teu medo

Encontrarás beleza
Na loucura
Ouvirás
Apenas para depois apagar

Esculpirás as tuas ideias
O mais perto possivel
De uma obra prima

Eu não sou nada
Ninguém...
Mas tu podes tornar-me
Num romance

Nunca to direi
Mas espero, enquanto sofro
Pensando se estarás sozinha
Confio cegamente
Mas sei
Que nunca o vou poder revelar

Tudo

Como somos capazes de correr tanto
Querer tudo, tão depressa
Mas nunca saber parar
No momento certo...

O momento que poderia mudar
Tudo...

Nascemos sem indicações
Indicações para saber quem vamos ser
O que queremos fazer
Com quem queremos partilhar o mundo
Nascemos sem saber viver...

São precisos anos
Para entendermos que era ali
Naquele segundo
Em que deviamos ter ficado
Onde deveriamos ter investido
Tudo o que somos e temos
Tudo do que somos capazes

E isso?
Porque insistimos tanto
Em dar o que de melhor temos
Às pessoas que sabemos serem as erradas
Porque nos atrai tanto o incerto?

Porque nos empurramos para um buraco
Porque não nos deixamos viver com alegria e felicidade
Porque apenas conseguimos sentir a vida
Quando sofremos...

Agora eu sei porquê
Porque para podermos estar certos
Temos de ter perdido tudo
E eu,
Eu já perdi tudo

20.9.11

Pressão

Apenas preciso de ti
Para ficar bem
Não posso sentir-me assim
Nem mais uma noite

Ligo a televisão
E tudo o que vejo é ódio e vingança
E gosto de ver
Porque estou a sofrer...

Não me aguento assim
Sinto que não estou cá
Não estou a dormir
Mas não consigo ficar acordado...

Dizes-me que é uma fase
Mas de que me serve isso
Se não consigo ver
Para além deste momento

Se precisasses de mim
Eu cedia para ti
Meio consciente
Apenas para escapar a mim mesmo

As tuas palavras parecem-me murmúrios
A tua face indefinida
Tento prestar atenção
Mas as tuas palavras apenas desaparecem

Porque na minha cabeça
Está sempre a chuver
Esqueço-me sempre
De tudo o que deveria ter dito
(enquanto foste embora...)

As minhas palavras
Não fazem mais
Do que estarem no meu caminho
Quero desaparecer
Ou que me deixes cavar um buraco
No teu coração

Sei que falo como uma criança
Porque não sei o que sinto
Mas sei que faria tudo o certo
Para estar contigo

10.9.11

Quando Estávamos Juntos

Todos os dias me lembro
De nós...
Perdidos um no outro
Quando encontrámos finalmente o nosso lugar

Ainda me lembro
De nadar contigo na noite
De procurar as luzes da cidade mais próxima
Quando o mundo sabia ser um lugar mágico

Partilhávamos um sonho
Mais perto do que qualquer destino
Os sorrisos e lágrimas cruzavam a nossa cara
Mas acabavam por desaparer com as saudades

Eramos os donos do mundo
Como uma força inexplicável
Que corria dentro de cada um de nós
Quando estávamos juntos...

Usámos o mundo
Como um lugar apenas nosso...
Vivemos uma aventura
Mais forte do que qualquer romance de verão

Seguiamos o sol até anoitecer
Em busca de memórias mortas
Sem sabermos que
Estava tudo ali, naquele momento...

O sentimento era cada vez maior
Mas mesmo assim não se deixou sentir
E naquele momento eu soube
Mas mesmo assim,
Deixei-me perder em ti...

Agora não consigo estar bem
Sabendo que me vais deixar
Apesar de eu tentar...
Vais-me deixar?
Não podes acreditar?
Porque não podes acreditar agora?

6.9.11

Não Há Tempo Como o Presente

Porque dizem que passado é passado, que passado já era, que já passou; se tantas vezes vivemos, querendo ou não, mais no nosso passado do que no nosso presente?
Porque dizem que o futuro apenas a deus reserva; se é calculando o futuro que podemos tão bem melhorar a nossa vida?
Porque nunca ninguém nos disse que o tempo ideal para viver não é nem o passado nem o futuro, mas sim agora?
O tempo actual é uma dádiva, dai se chamar presente.

Ganância

A perda de ingenuidade
Corta a capacidade de amar
Substituindo-a, infelizmente, por valores bem menores

As pessoas costumavam amar
Agora apenas respeitam...
Apenas desejam...

Reunir todas as condições é, com o tempo, cada vez mais complicado.
E, quando um finalmente ama...
A ganância do outro atropela o amor dos dois

1.9.11

Deixar Partir

Custou-me tanto perder-te
Felizmente ainda custa...
É sinal de que, afinal de contas, sempre gostava

Nunca hei de entender porque nunca to disse
Muito menos porque nunca o demonstrei...
Não foi por orgulho, sei apenas que foi muito mais do que isso

Talvez procurasse apenas um pouco de dor, um pouco de solidão
Já não sabia o que era estar só...

Já não suportava o modo como nos tratávamos,
O modo como invadiamos as defesas um do outro
O modo como transformamos gostar em estar

Naquele dia soube que nunca mais te ia ter
Não houve um segundo em que não pensasse em correr atrás

E corri...
Mas o tempo que demorei a pensar nas palavras certas para te dizer
Foi o tempo que demoras-te a partir
E, subitamente, tudo pareceu vazio, demasiado calmo...

Mudei muito desde esse dia, não tão distante assim,
Não é o tempo que muda as pessoas, são as situações
Espero que estejas bem, seja de que modo for.

Suporto que o sentimento mude,
Mas penso que não suporto se desaparecer
Custa demasiado gostar de alguém
Para depois deixar partir.



14.5.11

Estamos Todos Sozinhos

A noite morreu
Com os ecos do sol...

Tudo acabou
E as indecisões
Foram decididas pelo tempo

Com chuva e vento
Tens para onde ir?
Eu não tenho para onde ir...

O amor destruiu o teu corpo
E agora tento entender
Se ainda estás viva para mim...

Todos esperamos a nossa razão para viver
Seja ela o destino
Ou a traição
Todos esperamos algo em que acreditar
Porque não pode ser apenas isto...

Sinto-me reduzido por ti
Não tenho para onde ir
Não tenho ninguém a quem queira falar
Ninguém vai entender senão tu

Quem me dera escapar disto
Mas quando o calor passa
Nada muda

Ponho o meu coração de lado
Para começar um novo jogo
Este sentimento começa a ficar velho
Não tenho para onde ir...
Ninguém para olhar...

Sei que nos acontece a todos
Um a um... até estarmos todos sozinhos
O amor destruiu o nosso corpo

Não temos nada a perder agora
O que temos de fazer
Para te provar...

Deixa-me fazer alguma coisa
Seja o que for
Faria tudo
Para ser o teu nada...

1.5.11

Tudo o que sei sobre Amor

Sempre me apaixonei
Por pessoas que nunca se preocuparam
Em exprimir as suas emoções
De um modo a que outros as pudessem fazer suas

Pena ter demorado a entender
Como são tão poucas...

Apenas depois entendi
Que apenas evitando o que se ama
Se tem hipótese de o refazer

Passando por
Mil rostos vazios
Tentando preencher um deles
Com a tua face...

Mas é impossível
Pois a esperança esta para mim
Como o coração está para os amantes

Apercebi-me
De todo o sofrimento
Que poderia-mos evitar
Se um rosto não passasse
De um relevo

Apercebi-me
Que não existem pessoas especiais
E que a única coisa de especial que têm
É o olhar de quem as contempla

Que a felicidade é apenas
Para os que desejam perder o privilégio
De serem normais...

De mergulharem
Num estado de loucura
Em que fazemos tudo
Depender de outra pessoa...

Sabendo que um dia
Tudo terá o seu fim...

Mas a separação tem algo terrível
Pois nunca nos deixa preservar
O que de mais belo tínhamos...

Adoraria
Poder despedir-me do mundo
E das duas ou três pessoas
Que verdadeiramente nos acompanham
Até ao seu fim...
Manter todos os meus sentimentos
Intactos...

Porque nunca suportei olhar sem ser olhado
Porque aprendi a adorar a dor
E a sentir a sua tamanha força
De modo que sem a sua intensidade
Tudo parece tão vazio...

E agora o meu mundo está assim
Vazio...
Mas ninguém cabe nele...
Porque não conheço ninguém
Que o consiga ver como tu vias

Porque no fundo,
Depois do caos
Somos todos iguais
Todos Procuramos a calma...

Grandes momentos conseguem
Cair no esquecimento do inconsciente
Como as mais belas coisas
Também elas desaparecem das nossas recordações...

Odeio conseguir sentir
O fim...
Como só eu sei ser o primeiro a senti-lo
Como eu sinto a necessidade
De dispensar a realidade do outro

Irrita-me sentir
Gestos que sei que não me pertencem
Que são apenas cópias de uma outra relação passada
De um corpo que ainda não soube esquecer
De uma relação que não me pertence

Irrita-me como
Apenas sinto o decisivo
Depois de ele passar por mim
Sob a forma de oportunidade perdida
De amor que podia ser
Mas que nunca foi...

Adoro segurar-te
Quando a tua boca sorri
E os teus olhos choram
Quando os teus pés levantam
E a tua face se abre...

Odeio como o silêncio
Consegue precipitar sentimentos
Que não queria deixar fugir...

Odeio como o amor não se pode refazer de recordações
Passado não é amor,
Passado é compaixão...

Odeio como
A vontade chega sempre
Atrasada em relação aos sentimentos
E as verdadeiras emoções nascem
Nos intervalos de atenção...

Adorei como
O teu rosto olhado de perto
Entrou em mim
Se tornou parte imediata de mim

Odeio como
Nunca soube falar bem
Das coisas que mais amo

Odeio como
Nunca me senti tão completamente só
Até ver quem mais me amou
Amar...

Odeio
Pessoas cheias de tragédias fúteis
Odeio-te...
Amo-te...

O amor é o menos reversível dos sentimentos
O único que nasce de uma ilusão que nunca poderá ser refeita
Nunca se volta a amar quem já se amou...

E agora...

Sinto que o meu futuro
É apenas uma sombra do passado
A presença de um espaço
Que subtrai todas as tuas palavras

Tenho saudades dos dias contigo
Eras a minha única ligação com a vida...
Tenho saudades do teu olhar
Tão constantemente o início de tudo...

Odeio saber agora
Que existia uma palavra que te poderia parar
Mas que eu não sabia
E que enquanto a procurava
Tu ias seguindo o teu caminho...

Odeio saber
Que é falsa tentação
Procurar no passado algo que
Possa trazer significado ao nosso presente

E admito...
Já há muito que não sinto
Disponibilidade para o presente
Não enquanto o passado
Me continuar a ultrapassar

10.4.11

Incompleto

O sol desapareceu
E o frio subiu até aos meus olhos
Encurtando o espaço entre o pestanejar
E a lágrima...
Onde estás tu?
Será que sentes o mesmo que eu?

Este mundo
Tem uma forma repentina
De nos fazer lembrar
Como as coisas que mais amamos
Podem deixar de fazer parte de nós...

E o tempo...
E com ele a estranha sensação
De que tudo o que é bom
Podia ter durado mais
Pelo menos, um pouco mais...

Porque nada nunca faz sentido
Quando estamos tão bem
Quando estamos tão mal
Porque nos sentimos sempre incompletos?
Porque não nos deixam em paz...

16.3.11

Pequenos Mundos

O mundo parece parado...

Sinto mentiras a crescer na minha boca
Faz dias em que não sei
O que é amor...

O meu coração sente-se pequeno
Nunca mais sara
Nunca mais vai viajar...

Quem me dera voltar atrás
Talvez fossemos demasiado novos...

Demasiado burros para correr
Demasiado inocentes para saber...

Talvez este nunca tenha sido o nosso mundo
O que nasceu contigo
Morreu também...

Ainda tentei dizer-te
Como eras a única pessoa que eu podia amar
Neste mundo tão morto...

Mas entendi
Que nada vai mudar este pequeno mundo
E eu sei que nunca vamos mudar
Nem eu nem tu...

Porque quando tentámos acender uma vela na terra
Apenas a transformámos no nosso inferno...

Desejos

Os teus olhos
Guiam-me para um lugar
Que sempre imaginei
Mas que nunca soube existir

O teu corpo dança pela rua
E faz-me ansiar o toque...

Os teus lábios
Não fazem nada mais
Do que me sugar o ar

Quero a tua dor
Quero saber porque és como és
Mas não quero tudo
Porque te quero para sempre...

Eu sei que não és apenas o que vejo
Sei que não és apenas o que me dizes ser
Sei que não sou o único momento
De que és feita...

Quero que me queiras
Quero senti-lo nos teus olhos
Não me dês apenas algo que me satisfaça
Não te entregues apenas,
Porque quero muito mais de ti

12.3.11

Lenta(mente)

Não resta muito mais para amar
E estou demasiado cansado
Para te odiar...

Pela primeira vez
Sinto o vazio
Sinto-me a descer
Para o minuto da decadência

Estou no meu caminho
Lentamente no meu caminho
Queria que viesses comigo...
Queria que te deixasses levar por mim...

No momento em que tudo nasceu
Tudo começou a morrer
Quem me dera poder entregar-me
Quem me dera poder viver esta mentira...

De volta a um lugar só nosso
Para tentar limpar o meu nome
Mas a falta de esperança,
A falta de dor...
Como pode tudo ter desaparecido?
Como pode isto ter morrido?

Não há cura para isto
Olho e o mundo parece-me morto
Acho que estou morto também...

Mas ainda,
Quem me dera,
Poder viver esta mentira...

5.2.11

Finalmente

Durante toda esta diferença
Que passou por nós
Tenho sonhado
Com este momento de felicidade

Esperando para te poder ver
Para te abraçar
Cortar-te, para te poder sentir
Tudo o que quero é o nosso "antes"...

Pensei
Que nunca iria sentir falta de nada
E que tudo se iria apagar
E eu iria ficar bem...

Depois de todo este tempo
Acreditas em mim agora?
Acreditas em todos os sonhos que tenho?
Não tenhas medo por favor...
Do que eu era
E de todos os sentimentos distorcidos
Que partilhei contigo...

Em todas as palavras que te disse
E em todas as que engoli por ti
Eu vi...
Em tudo o que deixámos por terminar
Eu vi-te...

E eu não quero mais...
Não quero gritar sem ti
Não quero correr sem ti
Não quero morrer sem ti

29.11.10

O Que Nunca se Pode Perder

Quem ama não diz que ama
Assim como quem é rico não o promove
Quem ama não grita que ama
Porque na idade de gritar,
Pouca gente sabe o que é amar...

Quem define amor por "gostar muito"
E paixão por "gostar mais ainda"
Não sabe o que diz...

Amor é algo construtivo
Paixão é tão destrutivo que mesmo quando acaba
Já não dá lugar ao amor
Muitas vezes,
Nem a uma simples amizade

Quem ama o amor não pode ser racional
Pois o amor é um cálculo matemático eternamente errado
A soma de duas compreensões não é igual a um amor,
É sim somando as incompreensões
Que estamos o mais perto possível de amar alguém

Quem diz que vai amar para sempre mente
Quem diz que nunca vai amar mais ninguém, mente também
Amar é optar, é cegarmos o nosso mundo por alguém
Que achamos que vale a pena o nosso sofrimento

Para amar não podes apertar demasiado a mão
Mas também não a podes deixar demasiado aberta
Para amar é preciso muitas vezes correr o risco
De deixar-mos partir a pessoa que mais amamos

Para resistir ao tempo é preciso humor e imaginação
Pois o tempo sempre tem uma forma peculiar
De nos mostrar que estamos errados

Amar é saber embarcar a mudança do outro
É saber engolir orgulho
É saber aceitar que o hábito vai existir
É ver os defeitos no outro
Mas preferir as qualidades
É olhar para o céu e não para o chão

Para amar é preciso ter atitude
E nunca deixar-mos de ser nós mesmos
Porque se um dia o amor te deixar
É exactamente essa, a única coisa com que vais ficar
Para puder continuar...

28.11.10

Quando se vê através... (quando tudo se perde)

Agora vejo o teu real
Quando me colocas-te no sítio
Perto da perfeição
Para depois puderes perder o controlo

Desculpa se agora
Tenho vontade de gritar
Sinto-me preso num abismo químico
A tentar subir paredes
Que escorregam com as tuas mentiras

Desculpa se me ria
Ria-me apenas de como me iludias
E de como querias ter e ser
Tudo o que não podias ter

Porque não preciso de pessoas como tu
Que tentam amarrar a minha liberdade com fita-cola
Só te quero fora das minhas costas
És um peso morto

Toda a minha vida tentei explicar
Que me amo apenas para não ter de sofrer tanto
Agora deixa de parte a tua vingança e diz-me
Porquê...

Porque será que agora me sinto
Tão acima da minha cabeça
Sinto-me a ir tão fundo que
Me sinto tentado a ceder à tua vingança

Mas quando acordo já não quero saber
Gostaria apenas de te ter ao meu lado
E que dissesses o meu nome devagar...
Não passas-te de uma bela mentira
A mais bela mentira

Quando quiseste vir comigo
Sabias que eu te ensinaria a viver
A queimar a vela dos dois lados
Agora porque quiseste complicar tudo?

Sabias que era viciado neste tipo de vida
Era o teu cartão de atenção
Porque todas as minhas mentiras eram inofensivas
E não passavam disso mesmo

Mas agora tudo se perdeu...
Agora que vi o teu verdadeiro
Tão perto da perfeição
Consegui ver através de tudo...

28.9.10

O que Mais Adoro

Isolado
No meu buraco negro
Há tantas maneiras
De encontrar alguma luz

Mas são sempre os milagres
Que nos fazem gostar da vida
E apenas alguém como tu
Me podia fazer esperar o que esperei

Sei que não tenho tempo
Sei que o fim está próximo demais
Mas sempre que tento correr
Acabo sempre no mesmo sítio...

Sempre a ter de me afastar
Das coisas que mais adoro
Fugindo à verdade
Mas tendo a certeza
Que tudo o que me magoa
É tudo o que me vai fazer
Esquecer-te

Sinto-me afastar
De tudo o que mais adoro...

Mas há dias
Em que não não consigo sentir
Tudo o que ganhei até hoje
Tudo o que me consegue manter aqui

E neste momento
Tudo o que quero
É pegar em tudo isso
E contar-te a verdade

Que tive de me afastar
Das coisas que mais adoro
Porque entendi
Que o que me magoa
É tudo o que me vai fazer
Esquecer-te

17.9.10

Todas as Grandes Coisas

O fim está próximo
E os nossos dias de verão...
Como todas as grandes coisas
Se deixaram ficar para trás...

Por um dia, mais um dia...

E o Inverno
Que eu tanto aprendi a adorar
Onde nos conhecemos
De onde eu não consigo sair

Alguns dias sinto-te voltar para mim
Fazes-me sentir que os dias mudam
Apenas para me tentarem fazer
Um homem livre

Por um dia, mais um dia...

Não te quero chatear com detalhes
Mas como te queria puder ter
Amanhã, ao nascer do sol
Se eu te pudesse abraçar...
Nunca te iria deixar ficar mal

O fim está próximo
As mudanças destruiram-nos
Agora apenas posso mergulhar
Em tudo o que já está mal
E esperar...
Por uma nova era

Que esqueças
Que aprendas a perdoar
Que aprendas a esquecer

E eu não posso parar
Nunca parei de lhe dizer adeus
Mas ela é a única pessoa que consigo ver
Não posso parar
Mas tu és a única pessoa
Que eu consigo ver...

Não te quero chatear com detalhes
Mas como te queria puder ter
Amanhã, ao nascer do sol
Se eu te pudesse abraçar...
Nunca te iria deixar ficar mal

Por um dia, mais um dia...

16.6.10

Pecado

Não consigo usar
O que não posso abusar
E no que toca a ti
Não consigo parar

Porque quando me queimas
Sinto-me de novo a bater à tua porta...

Quero queimar a tua pele
Para me sentir debaixo dela
Quero destruir o teu coração
E dar-te o meu

Porque eu sei que não és
Como as outras miúdas
Porque sei que não vais aguentar
Como as outras miúdas
Que me acostumei a conhecer
Mas pareces-me tão bem...

Será que todo esse vazio
E toda essa loucura
Será algum dia preenchida por mim?
Como nos sentiriamos...

Faço-te bonita
Faz-me sentir que pertenço
Faço-te feliz
Faz-me teu...

Não tenhas medo de ti
Não tenhas medo de ser uma pecadora
Porque eu tenho certeza
Que, no meio de tudo isso
Vou conseguir
Que a tua inocência
Seja para sempre minha

O teu nome

Sempre que me lembro
Como te observei
Enquanto ias embora

Senti-me inútil
E sem nada para dizer
Deixei-te ir...

Fechei os olhos
Tudo o que esperei
Foi ver-te de novo
Mas até agora
Nunca aconteceu...

Será este o meu castigo?
O peso que vou ter de carregar
Para sempre?
O que nunca vou saber...

Espero que saibas
Que há sentimentos bem vivos
Que te procuram
Mas porque nunca esperas-te por mim
Isso nunca me dará menos certeza
Do quanto tudo seria tão certo

O teu silêncio persegue-me
E eu ainda
Penso em ti...
Mas sinto-me a morrer
Entre paredes

Mas ainda sonho
Ainda quero
Ainda me atormento
Ainda espero
Ver-te mais uma vez

Mas toda esta distância
Que tudo consegue disolver
Mesmo o que tanto parecia impossível
Tento amarrar-me a memórias
Mas elas vão-me deixando cair...

Dormir faz-me esquecer
E pensar num novo dia
Um dia em que me vou sentir eu de novo
Mesmo sem ti...

Já pensei em render-me
Já pensei em desistir
Mas seria exactamente o mesmo...
Porque mais um momento
Seria mais uma eternidade...

E eu sei
Que me conheces bem
Demasiado bem
Mas neste momento
O meu único desejo é que saibas...

Às vezes ainda digo o teu nome
Quando não aguento mais
E sinto tudo em mim fechar
Aperto as mãos
E fico a assistir
O mundo acabar

13.6.10

(Espera)nça

Mais um sonho
Que nunca se vai tornar realidade
Apenas para puderes
Continuar com o teu

Mais uma vida que desperdiças
Mais uma oferta
De que abusas
Porque estás a sofrer

Mas
Como podes achar que estás sozinha?
Que és a única?
Que és única...

Mais uma verdade
Em que nunca vou puder acreditar
Mas que me vai arrepiar
Para sempre

Porque todas as mentiras que ouves
Ficam gravadas na tua memória
E o seu som é agudo...

Mas deixa-me explica-te
Que não és só tu
Talvez estejamos mesmo todos assim...

E este é apenas o meu modo de ser
Porque viver apenas
Nunca foi castigo suficiente
Dou-te agora oportunidade
De me fazeres sofrer

E como a aproveitas
E como me tiras
Tudo o que sempre quis...

Perdido nos teus limites
Respiro um pouco de dor
Inspiro um pouco de vida
Expiro um pouco de ódio

Por ti...
Porque prefiro que nunca me sejas indiferente
Porque quero fazer viver
Tudo o que tu mais odeias

Porque te quero de volta
Volta para mim
Deixa-me sem mais ninguém
Mas volta para mim

11.6.10

Falsa Noção de um Falso Sentimento

Espero
Enquanto alguém espera por mim
Falo
Mas sei que alguém fala comigo

Fujo do teu ponto de vista
Porque quero desaparecer
À medida que for atrás de ti

Que noção tão falsa
De uma falsa emoção
De que se pode amar
Quem uma vez já se amou

Mas a minha devoção
De um puto inocente
Não tem limite
E aos teus olhos isso ainda tem de
Contar para alguma coisa...

Para de te esconder
Por detrás de tudo
O que não é físico
Diz-me o que eu quero dizer
Salva mais um dia...

Mas que noção tão falsa
De uma falsa emoção
De que se pode amar
Quem uma vez já se amou

1.6.10

Amantes Acabam

Nunca soube até onde iriamos
Mas sempre soube
Que seria muito melhor
Se nunca tivessemos chegado

Promete-me que nunca
Nos vais deixar passar
Que não te vais esquecer
Que nunca vais dançar comigo
Em lágrimas de plástico

Beija-me para que não fiquemos sós
Até que a manhã nos faça desaparecer...

Nunca entendi porque
Queriamos tanto ser notados
Se nunca poderiamos ter sabido
Para onde apontavam as câmaras
Naquela noite...

Nunca nos conseguimos ouvir
Porque sempre estivemos
Demasiado ocupados a falar
Mentiras sobre nós
Porque a verdade é tão medíocre...

E à medida que a manhã aparecia
E o nosso interesse desaparecia
Abraçamos mais uma vez
Tudo o que nunca vamos poder ter

E tudo o que deixámos
E todas as coisas que aconteceram
No escuro...

Porque quando chamei por ti
Apenas descobri segredos
Que apagaram as cores
Da minha cara...

Porque sempre que acordava
Deitava-me e deixava-me sonhar
Como perseguia o teu vestido
Como queria filmar o teu sorriso
Para o guardar para sempre

E isso faz-me lembrar
Como nunca quis deixar de te desejar bem
Por todos os momentos
Por tudo o que vais conseguir na vida
Todos os obstáculos que vou ultrapassar
Mas como não sabem tão bem
Sem ti...

Os amantes acabam

19.5.10

Ser Quem Amas

Eu e tu
Ainda acredito que
Fomos feitos para sermos...

Imutáveis à diferença
Mesmo que impossiveis
Ao amar...

Tudo isto foi destino
Somos incalculáveis
E para sempre
Irei sofrer por ti

E mais uma vez te digo
És tudo o que sempre quis
És tudo o que sempre pedi
És tudo o que sempre sonhei

Quem não iria querer ser quem amas?
Quem não quereria ficar
Dentro do teu amor...

Nunca te consegui atingir como queria
Porque sempre que te queria sentir
Tinha de parar para respirar

E para sempre
Respirarei pelos dois
Atravessarei o mundo
E por onde viajar
Tu vais estar comigo e em mim

Porque apesar de tudo
Eu continuo a acreditar
Que ainda queres estar
Dentro do meu amor...

E assim sinto-me
Resnacido
Pela primeira vez desde que te conheci
Sou eu, de novo...
E sinto-me tão bonito

Porque me senti tão perto do fim
Que agora consigo sentir tudo tão bem
E, de novo
Procurar em ti

Dizer-te como preciso e sofro
Por cada movimento
Por cada palavra tua
Que já não é
Já não são para mim...

Quero amarrar o teu coração
És minha para sempre agora...
Quem não iria querer ser quem amas
Quem não morreria para estar
Dentro do teu amor

17.5.10

O sítio que tanto queremos

Envolto em nada
A escuridão cai
Sinto a dor
Sinto a fuga

Vivo no teu inferno
Vivo do teu fantasma
Vivo no teu fim

Porque nunca me consigo sentir
No sítio
No sítio onde tanto quero
Poder pertencer...

Não quero perder tempo
Não quero perder mais tempo...

Tudo o que disseres
Eu aceito
Tudo o que fizeres
Será eternamente certo

E o silêncio será agora
O nosso caminho

Navego no teu mar
Em declínio
Mas não consigo
Quebrar as tuas ondas

Apenas sinto
As luzes apagarem
Deixei-te dormir
Como pude
Deixar-te dormir...

Porque estava acabado por dentro
Porque estava partido
Porque não me soube arranjar a tempo
Porque não tive o tempo

Porque quando eu te beijava
Eu saia de mim mesmo
E sempre foi isso que me fez sentir
Vivo

No fundo apenas precisava de ti
Para estar contigo...

As coisas que fazemos a quem amamos
Como fazemos tudo morrer
Como se houvesse algo nelas
Que nunca poderá ser nosso...

Como destruimos o mundo
Que tanto nos demorou a construir
Como o colocamos
Tão fora do nosso alcance

Sem o amor
Tão cheio que podia
Enviar-nos em qualquer direcção

Sem o toque
Tão sentido que
Apagava todo o mundo

Mas quando largas-te
Tudo o que me disseste
Tudo o que pedi para nunca largares
Tudo o que pedi para nunca esqueceres

Tudo o que martelava na minha cabeça
Mesmo quando tudo parecia tão errado
Teve de desaparecer também

E assim se apagou
O sítio que mais demora a construir
Mas que mais rapidamente se pode destruir
O nosso sítio
Equilibrado e invisível, mas palpável
O sítio que tanto queria
O sítio que tanto continuo a querer
O sítio pelo qual, no fundo,
Todos vivemos
O sítio que tanto queremos.

15.5.10

Destruir Amor

Algum pouco tempo atrás
Decidi deixar de jogar seguro
No fundo trocar,
O certo pelo incerto

Deixei esta ideia governar a minha vida
Durante demasiado tempo
E agora
Cheguei até aqui
Sozinho...

E agora, nem sabes
Como ainda te quero tanto
E como penso em ti
Sempre fizes-te a entrega parecer
Algo tão fácil

Sentia-me em coma
Perdido em sonhos de beldade
Envolto em auras celestiais de prazer
Os teus beijos faziam a minha pele
Sentir-se fraca, deslocada...

Como pontes que queimas
Das cinzas onde ainda danças
De tudo o que soubes-te deixar
De tudo o que não fazia parte de ti

Como o amor ainda sabe doer
Como pode estilhaçar
Algo que já estava partido
Como consegue quebrar
Sem nunca chegar a dobrar

Porque
Para onde vamos
Não precisamos de estradas
Não precisamos de caminhos trilhados
Não precisamos de nós mesmos

Porque não há mal em destruir amor
Desde que o saibas plantar
De novo

29.4.10

Meio Sítio

Aterras-te no meu sonho
E durante todas as noites
Ao meu lado...
Fizeste parte de mim
Eras tudo comigo
E juntos,
Choravamos para o mar

Explodiamos juntos
Bebiamos do nosso amor
Tão vazio, mas tão cheio sonhos
Ninguém consegue fazer-me sentir
Como tu fizeste
Ninguém me fascina
Como tu o fazias

Eras minha
E tão perfeita que sei que hei de morrer
Sem amar alguém como te amei a ti

Sempre soubemos
Explodir em cores vivas
E no sítio mais alto a que chegámos
Gravámos o nosso nome
E ainda hoje fico contente de me lembrar disso
Quem me dera que tu também
Pensasses como eu

Como pode algo afectar-me tanto
E para ti ser tão indiferente,
Tão branco, tão vazio
Como pode o teu mundo
Atrair-me tanto, fascinar-me tanto
Mesmo sabendo que apenas senti
Uma parte dele

Como pudeste deixar-me assim
A querer conhecer
Todos os teus jeitos
Para acabar
Neste meio sítio.

12.4.10

Capaz, mas apenas Sozinha

Toda a gente deveria
Começar o seu próprio fogo
Toda a gente precisa
Da sua própria revolução

Toda a gente precisa de ser
Algo que não é
Toda a gente tem de o conseguir
Sozinho

Porque no fundo
Viver tão livre não passa de uma tragédia
Quando não consegues ser o que queres ser
Viver tão livre é uma tragédia
Quando não podes ver apenas o que queres ver

E todo aquele tempo
Que passas-te amarrado a algo
Todo o tempo para afinal
Estares errado

Todo o momento
Perdido,
Roubado,
Inocente...

Nunca terás nem mais um segundo disso

Porque no fundo
Viver tão livre não passa de uma tragédia
Quando não consegues ser o que queres ser
Viver tão livre é uma tragédia
Quando não podes ver apenas o que queres ver

Porque sempre esperas-te
Que eu tivesse tudo sob controlo
Nunca um minuto passou por ti
Porque nunca deixas-te invadir o teu mundo

Porque não é algo para controlares
Porque não é algo que pode ser teu
Muito menos algo que podes comprar ou roubar
É algo que só tens
Quando estás sozinha

31.3.10

Nosso Abismo

E mais uma vez
Nos empurramos um ao outro
Para o abismo
Sem ver quando parar
Apenas sabendo quando cair

Desta vez
Não te vou deixar sozinha
Desta vez não vou errar
Desta vez
Vou-te trazer comigo

E o tempo vai ver-nos
Realinhar
E o espaço vai sentir-nos
Desaparecer
Desaparecer contigo

Calculando a nossa dor
Partimos para o espaço
De uma vez por todas
Só eu e tu...

Para parar esta dor
Parte comigo
Parte já comigo
Vem e vais ver
Vou-nos levar para o mesmo
Mundo.

Onde o tempo nos vai ver
Realinhar
Onde o espaço nos vai
Perdoar
Todos os nossos pecados

E mais uma vez
Nos empurramos um ao outro
Para o abismo
Sem ver quando parar
Apenas sabendo quando cair...

Desta vez
Não te vou deixar sozinha
Desta vez não vou errar
Desta vez
Vou-te trazer comigo

29.3.10

De Parte (o teu caminho)

Mais uma vez
E de vez em quando
Quando me colocas de parte
E dizes que me amas

Me colocas numa garrafa
E fico a rodar no teu destino
Enquanto tenho de suster a minha respiração
E tu deixas escapar
Que secalhar já não queres fazer mais parte de nós

Não deixo de pensar...
Onde será que tudo isto falhou...

Acho que finalmente estou a descobrir
Que esta viagem é sobre entender
As pequenas coisas
Então o que fazer quando amamos alguém
Que não as consegue ver?

É uma pena
Como te seguras-te tanto a mim
E agora queres deixar
Porque não ficas?
Porque não me confundes
Mais um bocadinho...

Porque te amo
Porque quero precisar de ti
Porque quero que penses que és especial
Fora de ti mesma...

Nunca pensei que pudesses achar
Que eu não seria suficiente para ti
Todas as coisas que nunca te julguei capaz
Usas-te o melhor de mim...

E passas-te por cima de mim
Quando me disses-te que já não me amavas mais
E agora sei
Que esta será
A última vez...

Última vez que me tornas-te incostante
Inconsciente, a correr em circulos
Sem ver a verdade
Sem ver claridade
Porque continuas a empurrar-me
Quando já estou no chão?

E agora que me deixas-te ir
Porque não te soubes-te preocupar connosco
Agora acho que deverás estar finalmente bem
Agora que tens coisas que vão no teu caminho...